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30 de jun. de 2016

Compulsão Alimentar

A compulsão alimentar está relacionada com as dificuldades de emagrecer e manter o peso.

Nesse vídeo conversamos sobre o que é a compulsão, formas de tratamento e implicações no processo de emagrecimento,
   
   


16 de mai. de 2016

A ANSIEDADE FAZ VOCÊ COMER DEMAIS?



Assista nosso bate papo no facebook e entenda um pouco mais sobre a relação entre ansiedade e ganho de peso.

                                               






4 de abr. de 2016

FOME EMOCIONAL

Uma das maiores dificuldades de quem está tentando emagrecer é diferenciar as sensações de fome e de vontade de comer.

A fome aparece quando o nosso organismo precisa da energia para sobreviver. Quando ela chega podemos sentir tonturas, fraqueza e o estômago “roncando”. A fome é uma necessidade que precisa ser atendida.



A vontade de comer vem do nosso desejo por algum alimento, provavelmente porque ele nos trará prazer. Podemos descobrir se estamos com fome ou com vontade de comer ao observarmos se estamos escolhendo um tipo de alimento. Quando temos fome, comemos qualquer coisa, até mesmo aquele alimento que não gostamos muito. Já quando estamos com vontade de comer, buscamos um alimento específico.

Quando estamos com fome e comemos, ficamos satisfeitos. Quando a gente come e o desconforto não vai embora, aquilo que estávamos sentindo não era fome. Quando estamos com desejo por algum tipo de alimento e comemos, nos sentimos satisfeitos. Se a satisfação não aparece, aquele “desejo” não era vontade de comer. O que poderia ser, então? Fome emocional?

A fome emocional é aquela sensação parecida com a da fome ou da vontade de comer, mas que está relacionada com uma necessidade psicológica. Mas, por que confundimos essas sensações?
As nossas emoções produzem sensações corporais que podem ser muito parecidas com aquelas que experimentamos no aparelho digestivo: quando sentimos raiva, nosso lado instintivo tenciona as mandíbulas se preparando para morder. Quando estamos angustiados, sentimos um nó na garganta. Quando ficamos ansiosos, precisamos nos movimentar. Quando ficamos com medo, sentimos o estômago revirar.

Se não somos treinados a identificar essas sensações corporais, acabamos confundindo todas elas com a fome e buscamos a comida, ao invés de dar ao nosso corpo o que ele realmente precisa. Esse comportamento acaba sendo reforçado porque comer libera, parcialmente, a tensão que sentimos: ao mastigar um punhado de amendoins, relaxamos o maxilar tenso de raiva. Ao engolir uma fatia de pizza, relaxamos aquele nó na garganta, aquele “sapo entalado” da nossa angústia. Ao levantar do sofá e ir até a cozinha diversas vezes, movimentamos o corpo ansioso. E assim, criamos uma solução momentânea para o desconforto relacionado àquelas emoções.

Além disso, a comida também pode se tornar o símbolo de uma solução para algum conflito existencial. Como a psique fala através de metáforas, corremos o risco de interpretar de maneira concreta uma necessidade que é emocional.

Se ficamos entediados e nossa vida está sem objetivos, podemos confundir o vazio de sentido com o vazio do estômago. Se estamos tristes, podemos buscar a alegria em um chocolate, já que desde pequenos associamos doces a momentos festivos. Se nos sentimos presos, sufocados, podemos quebrar a dieta como uma forma de nos sentirmos livres. E por aí vai.

Fazendo isso, uma pessoa pode usar a comida na tentativa de se sentir melhor em relação aos conflitos emocionais, mas como não atende a necessidade real do organismo, a sensação de desconforto não vai embora. Sem saber o que fazer, podemos seguir comendo o tempo todo sem entender por quê.


A saída está no autoconhecimento. Desenvolver consciência corporal e autoconhecimento é muito importante para quem quer emagrecer. Só assim a gente pode escutar o nosso corpo, entender o que ele está pedindo e dar ao nosso organismo o que ele realmente precisa. Assim a gente fica satisfeito de verdade.

Saiba mais: 

8 de mai. de 2014

Ansiedade e ganho de peso


A ansiedade é uma reação natural do nosso organismo diante de situações ameaçadoras. Ela é a responsável por preparar o nosso organismo para lutar ou fugir do perigo e por isso sentimos a respiração acelerada, ficamos mais atentos com pensamento rápido e uma vontade imensa de se mexer: estamos em estado de alerta máximo!

A ansiedade gera uma tensão que precisa ser aliviada, mas muitas vezes não podemos agir e toda essa tensão acumulada faz com que a gente se sinta muito mal. E é nesse momento que muita gente COME COMPULSIVAMENTE.

Comer é uma forma de lidar com a ansiedade pois ao comer podemos dar vazão àquela necessidade de ação. Às vezes, não podemos falar o que pensamos, não podemos brigar com alguém e nem mudar uma situação, mas podemos comer. E ao mastigar, engolir e fazer a digestão damos ao nosso corpo o movimento que ele estava precisando. Nesse momento, conseguimos também FUGIR das sensações ruins que estávamos sentindo.

Porém, como o conflito não deixou de existir, ao invés de melhorar acabamos AUMENTANDO a sensação de ansiedade. E se não conseguirmos lidar com isso, entraremos em um ciclo vicioso aonde a comida, que inicialmente era uma forma de nos acalmar, acaba virando o maior transtorno da nosso vida.

Uma boa experiência para esse momento é buscar quebrar o ciclo do impulso que vira ação sem a reflexão. Para isso, quando um desejo aparecer, se proponha a esperar antes de reagir. Deu vontade de comer? Espere 30 minutos e nesse tempo tente ficar com você mesmo, observando quais são as sensações do seu corpo, que sentimentos, pensamentos e lembranças aparecem. Não julgue, apenas esteja presente. Depois que esse tempo passar você decide se quer comer, mas daí vai comer com consciência, sabendo o que está fazendo, e não tomado por um impulso.

Por isso que a Psicologia busca estimular o contato consigo mesmo. Porque só assim descobrimos descobre quem somos, do que realmente precisamos e, o melhor de tudo, aprendemos a ficar com os nossos sentimentos. No momento em que aprendemos a ficar com as nossas sensações ao invés de fugir delas descobrimos que elas não são tão tenebrosas assim. Perdemos o medo e aproveitamos os sentimentos para que eles nos mostrem o caminho do que precisamos conhecer, aprender ou modificar.

Leia também: A DIETA QUE DA CERTO X A DIETA QUE DA ERRADODIETAS NÃO FUNCIONAM


8 de abr. de 2014

Comendo Escondido


Estou acompanhando e adorando esse novo PROGRAMA do canal Discovery Home and Health.


            

Para quem não conhece, o programa se propõe a acompanhar pessoas que não conseguem entender porque estão acima do peso. Alguns participantes acreditam que comem bastante, mas não a quantidade que justificaria o grande aumento de peso. Mas a maioria dos participantes é capaz de jurar "de pés juntos" que pratica uma alimentação extremamente saudável.

Por 5 dias, a equipe do programa se propõe a acompanhar os participantes, utilizando câmeras de vídeo instaladas em suas casas e "detetives" que os acompanham durante a sua rotina do dia a dia.

Resultado final: os participantes acabam tendo que se dar conta de que comem muito, mas muito a mais do que imaginavam. Encontramos diferenças gritantes de percepção como no caso de um dos participantes que acreditava comer em torno de 2000 calorias por dia quando na verdade comia 5300. Ou mesmo da outra participante que jurava não comer e nem gostar de doces e que foi flagrada devorando 5 barras de chocolates por dia.

Mas o que acontece com essas pessoas? São mentirosos compulsivos?

Não.

A Psicologia demonstra que nossa personalidade é muito maior do que aquilo que conhecemos a nosso respeito e que possuímos a capacidade de esconder de nós mesmos tudo aquilo que julgamos feio, errado e doloroso. E  todos esses "defeitos" acabam na nossa Sombra. 

E é aí onde mora o problema.

Se estamos inconscientes desses nossos lados, como vamos transformá-los? Se eu acho que como corretamente e como pouco como é que vou perder peso?

Impossível.

O primeiro passo para a transformação de qualquer comportamento é a consciência de que ele existe. E nesse sentido esse programa acaba sendo genial pois faz com que os participantes sejam obrigados a encarar a realidade. E por mais doloroso que seja, é somente encarando a verdade que começamos a nos libertar das nossas próprias armadilhas.


Leia também: Dia da MentiraMudar dóiDiario Alimentar

11 de fev. de 2014

Dietas não funcionam


Ou melhor, funcionam por um tempo determinado.

Em todos esses anos que trabalho com obesidade atendi centenas de pessoas com a mesma história. Emagreceram 10, 20, 30 kg durante a vida, mas ganharam tudo de novo...e um pouco mais. O que nos leva a concluir que o difícil não é perder peso  mas sustentar uma mudança de vida a longo prazo.
Não é a toa que o mercado de dietas movimenta bilhões de dólares. Infelizmente, as pessoas não percebem que acabam consumindo dietas da mesma forma que consomem comida: compulsivamente.

Isso acontece por alguns motivos que a Psicologia pode explicar:

1.       As dietas são sempre restritivas
Reduzem carboidratos, ou glúten, ou lactose, ou gorduras etc. Mas quem tem problemas com a comida termina em um episódio de compulsão alimentar toda vez que se coloca em restrição. Restrição causa compulsão porque tendemos a compensar qualquer atitude radical e unilateral que tomamos na vida. E daí o ciclo vicioso: restringimos – perdemos peso – entramos em compulsão – ganhamos peso de novo.

2.       As dietas se vendem como uma solução milagrosa
Quando vivemos um conflito psicológico temos a sensação de que somos impotentes diante daquilo que nos causa angústia e assim acontece com quem come demais e se sente paralisado entre o desejo de emagrecer e o impulso de comer. Quem vivencia esse conflito acaba fragilizado e fica mais fácil de ser convencido que uma nova dieta pode ser a solução mágica para os seus problemas. E a indústria se aproveita disso.
Mas a solução mágica não existe. Enquanto o conflito não for resolvido não haverá mudança a longo prazo.

3.       Dietas não ensinam a lidar com as emoções
Quem come demais não faz isso porque tem fome. Quem come além da conta está interpretando mal as sensações corporais ou está buscando alívio para algum desconforto emocional. E enquanto não aprender a lidar com isso voltará a comer compulsivamente em algum momento da vida.

Algumas dietas funcionam temporariamente e acabam nos ensinando algo sobre nutrição. Devemos aproveitar o que há de bom nelas mas continuar a buscar uma mudança mais profunda e eficaz.

Só nos conhecendo melhor é que realmente conseguiremos nos transformar.

1 de jul. de 2013

Conversando sobre Transtornos Alimentares - Portal Rede TV


Na sexta feira dia 28 fui conversar sobre Transtornos Alimentares com Stella Freitas.

Falamos sobre Anorexia Nervosa, Bulimia, Compulsão Alimentar, Complexos Psicológicos, sentimentos e auto conhecimento.



A entrevista pode ser vista em 4 partes.

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

21 de mai. de 2011

A dieta que dá certo x A dieta que dá errado

Ontem, fui entrevistada por pesquisadoras que buscam descobrir como um programa de emagrecimento pode ser mais efetivo e achei que seria legal resumir sobre o que conversamos aqui no blog. Durante nossa conversa, busquei as respostas tanto nos anos de prática como na minha pesquisa sobre o que influencia o sucesso do tratamento após a colocação da banda gástrica.

Vamos lá!

1. Aprendizado

Se você está buscando emagrecer precisa, em primeiro lugar, adquirir conhecimento. Antes de qualquer coisa, deve descobrir o que está fazendo você engordar (o exercício do diário alimentar ajuda muito). Depois, terá que aprender como pode fazer mudanças para uma alimentação saudável e viável. Aprendizado nunca é demais e muitas informações são difíceis de serem absorvidas. Muita gente não sabe, por exemplo, que legumes como cenoura e beterraba, quando cozidos, funcionam como carboidratos, aumentando o índice glicêmico no sangue e obrigando o seu corpo a produzir mais insulina. Ou mesmo que a farinha integral é mais saudável que a refinada, porém, pode engordar da mesma forma se for ingerida em quantidade. Procure um nutricionista, leia, pergunte. Assim fica mais fácil fazer escolhas corretas.

2. Empatia

Sim, você precisa gostar do profissional que está te orientando. Quem gosta da equipe tem melhores resultados. Se não foi com a cara do seu endocrinologista, personal trainer, nutricionista, psicólogo, etc…mude.

3. Motivação

O motivo que te faz buscar o emagrecimento está diretamente relacionado com o sucesso que você terá no tratamento. Está comprovado que quem busca emagrecer porque tomou um susto com um problema de saúde tem mais sucesso do que quem busca emagrecer para ficar mais bonito. Compreender como a gordura afeta o funcionamento do seu organismo e te coloca em risco pode ajudá-lo na mudança de estilo de vida.

4. Estresse

As pessoas que estão buscando emagrecer e que acabam passando por situações estressantes tendem a abandonar o tratamento com mais facilidade. Isso acontece porque comer é uma forma de lidar com sentimentos desconfortáveis. Se você não aprender a suportar desconforto, a buscar outras formas de prazer e a acolher suas emoções terá mais chances de ganhar peso quando a vida trouxer um desafio. Invista nisso.

5. Responsabilidade

Tendemos a culpar fatores externos pelo nosso sofrimento. E, muitas vezes, situações difíceis podem até explicar o comer demais mas não nos fazem mudar. As pessoas que culpam a família, a falta de tempo, a dieta escolhida e o trabalho têm mais probabilidade de ter insucesso no tratamento afinal, mudar o mundo é muito mais difícil do que mudar a nós mesmos. Para ter sucesso na mudança do estilo de vida você precisa querer se transformar. Portanto, mude o seu jeito de pensar: você não é vítima por não poder comer tudo o que quiser. Você pode comer de tudo e pagar o preço de ganhar peso. Se você não quer engordar e por isso, abre mão de alguns prazeres, você está fazendo uma escolha e quando escolhemos, não sofremos tanto assim. Você é livre para viver a vida como quiser!

6. Mudando os conceitos

A maioria das pessoas que quer emagrecer já fez diversas dietas, emagreceu e voltou a engordar. Dentro delas existe um conceito mais ou menos assim: ou eu estou de dieta, fazendo tudo certinho, ou eu estou “apavorando”, comendo tudo o que eu não deveria comer quando estou de dieta (a famosa "jacada"). Como eu sei que já, já estarei em privação, automaticamente começo a estocar alimentos “proibidos”. Se você está de dieta e come um chocolate, entende que estragou o processo e por isso tende a comer tudo o que acha que não deveria até o fim do dia (e isso engorda). Se você busca comer de forma saudável e resolveu comer um chocolate…tudo bem. Tem dias que são mais difíceis, a gente busca um carinho e segue adiante. Não precisa fazer estoque de doce porque “amanhã não vou mais poder comer”.

Portanto, o que dá errado é justamente fazer dieta. O que precisa ser transformado é o conceito porque dieta é algo que tem começo, meio e fim, e um jeito novo de viver bem deve durar para sempre.

1 de mar. de 2011

Fome psicológica na RedeTv!

A fome psicológica é a confusão que fazemos entre um desconforto emocional e a fome fisiológica.



Isso acontece pois fome, desconforto, sofrimento, ausência, abandono são temas relacionados em nossa memória, enquanto que conforto, alívio, aconchego e prazer estão associados à comida.


Além disso, as sensações físicas das emoções normalmente aparecem na mesma região do aparelho digestivo: travamos o maxilar quando sentimos raiva, sentimos um nó na garganta quanto estamos triste e um vazio no peito quando estamos insatisfeitos com a nossa própria vida.


Para que uma reeducação alimentar tenha sucesso é muito importante realizar um tratamento que auxilie na discriminação das sensações e no desenvolvimento de habilidades para lidar com elas.


Escrevi mais sobre esse assunto em Emoções e Obesidade

15 de dez. de 2009

Como utilizar o diário alimentar

 

O exercício do diário alimentar é uma ferramenta muito eficaz no tratamento para emagrecer.

Um estudo publicado no "American Journal of Preventive Medicine", demonstrou que os pacientes que possuíam um diário sobre seus hábitos alimentares perderam mais do que o dobro de peso que aqueles que não mantinham os registros: SEGREDO PARA PERDER PESO

Porém, nem sempre esse exercício parece eficaz e isso acontece por causa da forma como o utilizamos.

Deixar para anotar o que comemos no fim do dia, por exemplo, não funciona. O diário é um exercício para criar consciência e capacidade de reflexão sobre o que comemos.

Para criar consciência a anotação deve acontecer no mesmo momento ou logo em seguida da alimentação. Assim, sua atenção estará voltada  completamente para a situação e você se dará conta de como come e do quanto ingere. Normalmente ficamos chocados com o que observamos e nos damos conta do quanto subestimamos a nossa forma de se alimentar. Quando um obeso diz que  não compreende porque engorda, já que não come tanto, ele não está mentindo: a inconsciência faz parte do processo de comer demais e por isso esse exercício é tão valioso.

O próximo passo será desenvolver a habilidade de reflexão sobre o comportamento alimentar. Depois de um tempo anotando podemos passar para o próximo passo: anotar ANTES de comer. Assim, seremos obrigados a separar a quantidade e observá-la antes da ingestão. A maioria das pessoas que come demais refere uma sensação de falta de controle e isso acontece porque a compulsão alimentar faz parte de um padrão automático. Essa fase do exercício auxilia em muito na desconstrução desse habito automático.

Quanto mais consciência, mais auto controle.

Emoções e Obesidade

Quando nascemos uma das primeiras sensações de desconforto que experimentamos é a fome, já que dentro do útero éramos alimentados constantemente através do cordão umbilical e a sensação de fome não existia.

Quando o bebê é alimentado ele experimenta uma sensação de alívio e conforto, não só porque sua fome está sendo saciada, mas porque a amamentação também traz o calor do vínculo com a mãe.

Por isso, tendemos a associar desamparo, dor, solidão e tristeza com a fome e bem estar, prazer, conforto e aconchego com a sensação de estômago cheio. Essas experiências estão relacionadas na nossa memória desde muito cedo.

Discriminar as sensações emocionais das fisiológicas é consequência de um aprendizado, são os adultos que vão ajudando a criança a diferenciar o desconforto que está no corpo daquele que está na alma. Normalmente é a mãe quem começa a traduzir para a criança os seus desconfortos, transformando-os em palavras.

Quando não aprendemos a traduzir nossas emoções, podemos confundir as sensações físicas com as emocionais e qualquer emoção pode ser interpretada como fome.

A compulsão alimentar é um sinal de que estamos comendo no momento errado, tentando lidar com algum desconforto que não vem do estômago. Acabamos comendo demais porque comer desvia a nossa atenção de alguma sensação desagradável. A comida traz um conforto momentâneo, mas como não resolve o problema, precisamos de mais comida para nos distrair do desconforto original.

Portanto, aprender a discriminar sensações corporais das emocionais é o primeiro passo no processo de emagrecimento.

Você já tentou dar nome para as suas sensações? Pare por alguns momentos quando se sentir desconfortável e tente nomear o que sente. Esse é um exercício simples que traz muitos resultados.

O comer demais permanece na nossa vida pois, nos traz consequências positivas. A comida nos acalma pois contém em si componentes químicos que aumentam a sensação de bem estar. Ficar de estômago cheio relaxa já que o corpo precisa de muita energia para realizar a digestão. O prazer proporcionado por alguns alimentos, principalmente aqueles que derretem na boca, também nos ajudam a desfocar de sensações desagradáveis. Por isso, o segundo passo do tratamento para emagrecer é aprender a lidar com nossas sensações. Criar formas de nos confortar sem utilizar a comida é fundamental. Se isso não acontece a restrição alimentar acaba sendo insuportável.

Você já tentou suportar um desconforto? Da próxima vez que se sentir desconfortável, nomeie essa sensação e pare para suportá-la. Tenha coragem de se entregar ao sentimento. Deite na cama ou se recoste na cadeira e apenas sinta o seu corpo: onde a sensação se localiza, como ela se movimenta, com o que ela se parece, te lembra alguma situação? Através desse exercício normalmente aprendemos que entrar em contato com ansiedade, frustração, raiva e agitação não nos destrói, pelo contrário, nos torna mais resistentes.


O desenvolvimento psicológico é essencial no tratamento da Obesidade. Só quando aprendemos a lidar com as nossas emoções podemos deixar de usar a comida para suportar os nossos sentimentos.


Flávia Scavone

7 de dez. de 2009

Em busca do caminho mais fácil

 

O psicanalista belga Jean Pierre Lebrun (ENSINEM OS FILHOS A FALHAR) diz que aprender a lidar com o insucesso é fundamental para livrar-se de apuros na vida adulta e sugere que os pais ensinem os filhos a falhar.

De maneira bem simples, sem grandes e complicadas interpretações psicológicas, Lebrun explica que viver a vida exige suportar momentos de desconforto e que quando não somos treinados para isso, tendemos a buscar formas de aliviar o sofrimento.

Lebrun fala das drogas mas encontramos diversas formas de evitar a realidade quando ela é considerada dolorosa. A compulsão alimentar é apenas mais uma delas.

Ao comer demais a pessoa consegue modificar o foco do conflito para a comida e, a longo prazo, culpar o excesso de peso por todas as suas dificuldades e sofrimentos.

Tanto no consultório como na vida observo como gastamos um montão de energia tentando evitar o desconforto. Estamos sempre a procura do caminho mais fácil. Nesse percurso perdemos muito tempo tentando evitar o inevitável: não há como passar por essa vida sem suportar alguns dissabores.

No processo de emagrecimento, tanto nos tratamentos clínicos como nos cirúrgicos, encontramos casos de sucesso e casos de insucesso. O que diferencia a pessoa que consegue ter sucesso da outra que não? Diversas pesquisas vêm buscando compreender as variáveis relacionadas aos resultados dos tratamentos. A minha pesquisa de mestrado ainda não está terminada mas já consigo observar algumas diferenças entre as pessoas que tiveram ou não sucesso após a Banda Gástrica e essa diferença está na atitude.

As pessoas que tiveram bons resultados compreenderam, de diversas formas, que não existe forma de perder ou manter o peso sem suportar um certo desconforto por não comer tudo o que têm vontade. Elas aprenderam que na vida a gente não tem tudo o que quer, simples assim. As pessoas com maus resultados continuam culpando a Banda Gástrica pelo seu insucesso e insistem em buscar um novo método de emagrecimento. Essas pessoas ainda não conseguiram perceber que a potência para a transformação está dentro de cada uma de nós e não no tratamento que escolheram para emagrecer.

Nilton Bonder em "A Alma Imoral" fala do "curto caminho longo" e do "longo caminho curto" mostrando que no nosso anseio pelo caminho mais fácil muitas vezes aumentamos em muito o nosso percurso rumo ao que precisamos.

Quando os pais conseguem ensinar os filhos que o sofrimento, a frustração e a derrota fazem parte da vida, conseguem prepará-los para a realidade como ela é, evitando que eles cresçam gastando o seu tempo e a sua energia inventando formas de evitar a vida.


Flávia Scavone

15 de nov. de 2009

NOVIDADES! - XI Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica


Neste último congresso o foco esteve nas cirurgias metabólicas, ou seja, as cirurgias com enfoque na resolução do diabetes tipo II.

Ao longo do tempo percebeu-se que as cirurgias bariátricas resultavam na melhora ou resolução do diabetes não apenas pelo emagrecimento, mas principalmente pelas modificações hormonais que elas causavam. A redução da grelina (hormônio responsável pela sensação de fome) e o aumento das incretinas (hormônios relacionados ao metabolismo dos nutrientes) são apontados como os responsáveis por essa melhora.

Muitos estudos foram apresentados e pesquisas estão sendo feitas para compreendermos quem se beneficiará da cirurgia e se realmente valerá operar diabéticos não obesos.

Outro tema bastante discutido foi o reganho de peso. É esperado que após o período dos primeiros dois anos as pessoas reganhem um pouco do peso que perderam ( de 2 a 7kg ou por volta de 15%). Porém, cerca de 20% dos operados acaba recuperando muito mais do que isso perdendo os benefícios da cirurgia. Cada vez mais os profissionais da área buscam compreender e desenvolver estratégias para auxiliar os pacientes na manutenção do peso. Mas o que funciona mesmo é a prevenção: a cirurgia precisa ser encarada como uma FERRAMENTA QUE AJUDA NA MODIFICAÇÃO DO ESTILO DE VIDA, ela não resolverá o problema sozinha!!

Como já escrevi em outros textos do blog (MUDAR DÓI, YES MAN!, DESENROLANDO A TERAPIA) o nosso organismo tende a ficar no padrão conhecido e sempre que tentamos mudar precisamos enfrentar uma força que vai contra o novo e a favor do velho, daquele jeito conhecido e confortável de viver. A novidade exige esforço porque é diferente. Observamos que após a cirurgia tanto o hábito de comer demais volta a se instalar (o operado começa a beliscar comidas calóricas) como o metabolismo tende a ajustar-se às mudanças gastrointestinais.

O segredo então é aproveitar os primeiros dois anos após a cirurgia para aprender um novo jeito de viver. E as pesquisas mostram: ficar perto da equipe ajuda na perda e manutenção do peso!!

Flávia Scavone

12 de fev. de 2009

Crise Financeira e Psicologia

 

Inevitável que um psicólogo se sinta forçado a comentar a crise financeira atual. Por mais que o nosso ramo pareça distante do mundo econômico, nós lidamos com pessoas e são elas quem vivem, sentem, participam, são cúmplices ou vítimas da situação atual.

Jorge da Cunha Lima escreveu um texto brilhante na Folha de São Paulo de hoje (FOLHA OPINIÃO) e atentou para o óbvio, mas o nem sempre pensado: o mercado nada mais é do que o resultado do comportamento humano.

Com tudo o que se segue começamos a falar do mercado, do governo e do capitalismo como instâncias independentes e autônomas, deixando de perceber que elas são apenas reflexos de cada um de nós.

Acontece que o capitalismo apenas reproduz o padrão do consumo como forma de satisfação. O que encontramos no nosso organismo, natural da nossa espécie como no processo da alimentação, também pode ser reproduzido para outros campos. Consumir comida satisfaz a fome, e assim o nosso organismo aprende que consumir é uma boa idéia: dá prazer, acalma. No desenvolvimento percebemos que consumir outras coisas também alimenta e preenche vazio.

O ser humano quer, o próprio ser humano oferta. Outros seres humanos convencem de que tudo isso é essencial e inevitável. E o resto dos seres humanos consomem.

Ter que lidar com o vazio ou a insatisfação pessoal não é tarefa fácil, e nem temos treino para isso, por isso o consumo cai como uma luva, passageira, para o desconforto. Essa é apenas uma forma de viver. Mas uma forma de viver que está se demonstrando prejudicial ao corpo, aos relacionamentos e ao planeta.

Talvez seja um bom momento para experimentar uma nova forma de viver a vida!

"Não é a economia que precisa mudar, porque a economia é uma ciência, não é um dogma, nem é o mercado, esse animal com energia própria. O que precisa mudar é o comportamento da sociedade. O comportamento dos políticos e também da mídia, a propor novos desejos, compatíveis com a natureza humana, e não com os humores destrutivos da moda."

Jorge da Cunha Lima
Flávia Scavone

24 de nov. de 2008

Mudar dói


Quando falamos em transformação da personalidade é difícil para quem não está familiarizado com esse tipo de processo compreender os desafios de trilhar um caminho de mudança.

Poucas pessoas compreendem como a psique funciona e por isso esperam de um processo de transformação algo diferente do que experimentam.

Pela psique ser encarada como algo abstrato e intangível, tendemos a achar que ela funciona de forma diferente do resto do nosso organismo. Mas isso não é verdade. A psique faz parte do nosso organismo e funciona exatamente como todo o resto. Assim como corpo, a psique possui uma estrutura, e nela há um equilíbrio. Essa estrutura funciona de um determinado modo, por diversos fatores, e mesmo que cause dificuldades na nossa adaptação ao mundo ela está em equilíbrio. Pode ser um equilíbrio estranho, mas ainda assim é um equilíbrio.

Transformar significa mexer em um sistema que, até agora, está acostumado a funcionar de uma determinada forma e por isso, causa desconforto.

Costumo comparar o sistema psicológico ao postural. Quando sentimos dor nas costas isso acontece em consequência de como estamos nos posicionando. Se a postura causa dor, seria lógico que ao nos "endireitarmos" a dor passasse. Mas não é isso que acontece. Se "endireitar" dói. Dói porque não estamos acostumados com a postura nova , a musculatura exigida para sustentar essa nova posição ainda é frágil pois não era utilizada. Para conseguirmos modificar nossa postura precisamos fortalecer uma série de outras estruturas e mesmo assim, por um bom tempo, se relaxarmos, a antiga postura volta a tomar conta, porque é ela a mais forte por fazer parte do hábito mais antigo.

Assim, exatamente assim, funciona a psique. Como o organismo, ela se acomoda em certas posições e se ressente quando precisa se reajustar. E ela também dói, avisando que algo naquele sistema já não funciona mais e precisa ser revisto.

A dor deve ser observada como parte de um processo natural que ora pode funcionar como aviso, ora como exercício. Um momento de crise não deve ser encarado como algo a ser evitado mas sim como uma oportunidade para rever a nossa posição diante da vida.

Flávia Scavone

15 de out. de 2008

Vícios

A Reportagem da Revista Cláudia sobre vícios (COMO SE PROTEGER DO VÍCIO) mostra como os comportamentos compulsivos estão cada vez mais comuns e presentes em nossa sociedade. Suas similaridades nos levam a acreditar que fazem parte do mesmo transtorno apenas apresentando uma mudança no tipo do objeto de desejo. A compulsão por compra, por comida ou por jogo aparece nas personalidades com dificuldade de conter um impulso mesmo sabendo que ele é prejudicial.

Questões neurológicas (falhas na dinâmica da dopamina ou serotonina) parecem estar presentes, mas os aspectos psicológicos são fundamentais. Uma pessoa que possui uma gama restrita de maneiras de lidar com certas situações de vida pode encontrar nesses comportamentos uma saída.

Come-se porque está feliz, triste ou preocupado. Em muitos casos não existe uma situação ou uma emoção específica que detone o comportamento, mas sim uma dificuldade em lidar com afetos de uma forma geral. Em muitos casos a pessoa que sofre com uma compulsão não aprendeu quando criança a conter ou suportar certos sentimentos. Como não foi treinada para suportar desconfortos encontra em substâncias ou objetos refúgio para o incômodo inicial. Pode ser que o vício libere uma química ou proporcione o afastamento do que realmente está incomodando, já que desvia a atenção.

Nesse sentido, o treino da contenção de afetos e a compreensão da situação incômoda são essenciais para que a pessoa consiga aprender a viver a vida de uma outra forma. Mas antes disso, a pessoa que sofre com uma compulsão precisa acreditar na sua capacidade de suportar e enfrentar sensações incômodas.

Possuímos diversos potencias que podem ser desenvolvidos ao longo da vida. É esse aspecto que torna a nossa personalidade passível de transformação.
Flávia Scavone

14 de out. de 2008

Meditação


Devido ao colapso que vive o nosso modelo social podemos observar movimentos de busca por um estilo de vida diferente daquele que nos é oferecido.
A aproximação e o interesse pela cultura oriental, que vem aumentando nas últimas décadas, resulta na ampliação de possibilidades do como viver. Entre as aquisições desse encontro cultural como a Yoga, a prática do Zen Budismo, a Acupuntura e a Medicina Ayuvédica está, a meu ver, umas das maiores possibilidades de ampliação que a cultura oriental pode nos proporcionar: o exercício da meditação.
Associada ao ermitão que se encontra no alto da montanha, a meditação é vista, pela maioria das pessoas como algo impossível de ser experimentado pelo cidadão comum, sendo muitas vezes mal interpretada e associada ao isolamento e ao silêncio. Mas a meditação nada mais é do que estar no presente.
O que é estar no presente? Permanecer exatamente onde está, concentrado naquilo que o rodeia, entregue a situação atual. Isso é difícil? Para nós ocidentais sim, porque estamos acostumados a pensar obsessivamente. Quando estamos lavando louça, dirigindo, assistindo a uma aula, lendo, normalmente não estamos lá mas em algum outro lugar para o qual o nosso pensamento nos levou.
Daí resulta a dificuldade do ocidental em permanecer na realidade, principalmente quando aquela realidade inclui um afeto desconfortável como a raiva, a timidez ou a frustração. A nossa tendência é rapidamente fugir, ou pela fantasia, ou por distrações que incluem objetos qualquer.
Praticar a meditação como um treino para estar cada vez mais aqui e agora, sem precisar fugir, é mais fácil do que se isolar num quarto escuro buscando acorrentar os pensamentos.
Podemos meditar lavando a louça, se prestarmos atenção na louça, ou ao dirigir, se realmente estivermos atentos aos nossos movimentos e ao caminho que percorremos. Experimente fazer atividades corriqueiras com a mão esquerda, se for destro ou vice versa, isso vai exigir de você uma atenção que antes não era necessária. Saia do automático e exista no presente.
Se estiver diante de um cigarro ou de um chocolate, prestes a colocá-los na boca sem saber por quê, pare. Reflita e se questione para deixar de ser controlado pelo impulso. Não é fácil, mas é possível. É um exercício como outro qualquer.
Flávia Scavone