15 de dez. de 2009

Emoções e Obesidade

Quando nascemos uma das primeiras sensações de desconforto que experimentamos é a fome, já que dentro do útero éramos alimentados constantemente através do cordão umbilical e a sensação de fome não existia.

Quando o bebê é alimentado ele experimenta uma sensação de alívio e conforto, não só porque sua fome está sendo saciada, mas porque a amamentação também traz o calor do vínculo com a mãe.

Por isso, tendemos a associar desamparo, dor, solidão e tristeza com a fome e bem estar, prazer, conforto e aconchego com a sensação de estômago cheio. Essas experiências estão relacionadas na nossa memória desde muito cedo.

Discriminar as sensações emocionais das fisiológicas é consequência de um aprendizado, são os adultos que vão ajudando a criança a diferenciar o desconforto que está no corpo daquele que está na alma. Normalmente é a mãe quem começa a traduzir para a criança os seus desconfortos, transformando-os em palavras.

Quando não aprendemos a traduzir nossas emoções, podemos confundir as sensações físicas com as emocionais e qualquer emoção pode ser interpretada como fome.

A compulsão alimentar é um sinal de que estamos comendo no momento errado, tentando lidar com algum desconforto que não vem do estômago. Acabamos comendo demais porque comer desvia a nossa atenção de alguma sensação desagradável. A comida traz um conforto momentâneo, mas como não resolve o problema, precisamos de mais comida para nos distrair do desconforto original.

Portanto, aprender a discriminar sensações corporais das emocionais é o primeiro passo no processo de emagrecimento.

Você já tentou dar nome para as suas sensações? Pare por alguns momentos quando se sentir desconfortável e tente nomear o que sente. Esse é um exercício simples que traz muitos resultados.

O comer demais permanece na nossa vida pois, nos traz consequências positivas. A comida nos acalma pois contém em si componentes químicos que aumentam a sensação de bem estar. Ficar de estômago cheio relaxa já que o corpo precisa de muita energia para realizar a digestão. O prazer proporcionado por alguns alimentos, principalmente aqueles que derretem na boca, também nos ajudam a desfocar de sensações desagradáveis. Por isso, o segundo passo do tratamento para emagrecer é aprender a lidar com nossas sensações. Criar formas de nos confortar sem utilizar a comida é fundamental. Se isso não acontece a restrição alimentar acaba sendo insuportável.

Você já tentou suportar um desconforto? Da próxima vez que se sentir desconfortável, nomeie essa sensação e pare para suportá-la. Tenha coragem de se entregar ao sentimento. Deite na cama ou se recoste na cadeira e apenas sinta o seu corpo: onde a sensação se localiza, como ela se movimenta, com o que ela se parece, te lembra alguma situação? Através desse exercício normalmente aprendemos que entrar em contato com ansiedade, frustração, raiva e agitação não nos destrói, pelo contrário, nos torna mais resistentes.


O desenvolvimento psicológico é essencial no tratamento da Obesidade. Só quando aprendemos a lidar com as nossas emoções podemos deixar de usar a comida para suportar os nossos sentimentos.


Flávia Scavone

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