15 de out. de 2008

Vícios

A Reportagem da Revista Cláudia sobre vícios (COMO SE PROTEGER DO VÍCIO) mostra como os comportamentos compulsivos estão cada vez mais comuns e presentes em nossa sociedade. Suas similaridades nos levam a acreditar que fazem parte do mesmo transtorno apenas apresentando uma mudança no tipo do objeto de desejo. A compulsão por compra, por comida ou por jogo aparece nas personalidades com dificuldade de conter um impulso mesmo sabendo que ele é prejudicial.

Questões neurológicas (falhas na dinâmica da dopamina ou serotonina) parecem estar presentes, mas os aspectos psicológicos são fundamentais. Uma pessoa que possui uma gama restrita de maneiras de lidar com certas situações de vida pode encontrar nesses comportamentos uma saída.

Come-se porque está feliz, triste ou preocupado. Em muitos casos não existe uma situação ou uma emoção específica que detone o comportamento, mas sim uma dificuldade em lidar com afetos de uma forma geral. Em muitos casos a pessoa que sofre com uma compulsão não aprendeu quando criança a conter ou suportar certos sentimentos. Como não foi treinada para suportar desconfortos encontra em substâncias ou objetos refúgio para o incômodo inicial. Pode ser que o vício libere uma química ou proporcione o afastamento do que realmente está incomodando, já que desvia a atenção.

Nesse sentido, o treino da contenção de afetos e a compreensão da situação incômoda são essenciais para que a pessoa consiga aprender a viver a vida de uma outra forma. Mas antes disso, a pessoa que sofre com uma compulsão precisa acreditar na sua capacidade de suportar e enfrentar sensações incômodas.

Possuímos diversos potencias que podem ser desenvolvidos ao longo da vida. É esse aspecto que torna a nossa personalidade passível de transformação.
Flávia Scavone

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