Nesse vídeo conversamos sobre o que é a compulsão, formas de tratamento e implicações no processo de emagrecimento,
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30 de jun. de 2016
Compulsão Alimentar
A compulsão alimentar está relacionada com as dificuldades de emagrecer e manter o peso.
Nesse vídeo conversamos sobre o que é a compulsão, formas de tratamento e implicações no processo de emagrecimento,
Nesse vídeo conversamos sobre o que é a compulsão, formas de tratamento e implicações no processo de emagrecimento,
16 de mai. de 2016
A ANSIEDADE FAZ VOCÊ COMER DEMAIS?
Assista nosso bate papo no facebook e entenda um pouco mais sobre a relação entre ansiedade e ganho de peso.
4 de abr. de 2016
FOME EMOCIONAL
Uma das maiores dificuldades de quem está tentando emagrecer
é diferenciar as sensações de fome e de vontade de comer.
A fome aparece quando o nosso organismo precisa da energia
para sobreviver. Quando ela chega podemos sentir tonturas, fraqueza e o
estômago “roncando”. A fome é uma necessidade
que precisa ser atendida.
A vontade de comer vem do nosso desejo por algum alimento,
provavelmente porque ele nos trará prazer. Podemos descobrir se estamos com
fome ou com vontade de comer ao observarmos se estamos escolhendo um tipo de
alimento. Quando temos fome, comemos qualquer coisa, até mesmo aquele alimento
que não gostamos muito. Já quando estamos com vontade de comer, buscamos um alimento específico.
Quando estamos com
fome e comemos, ficamos satisfeitos. Quando a gente come e o desconforto não
vai embora, aquilo que estávamos sentindo não era fome. Quando estamos com
desejo por algum tipo de alimento e comemos, nos sentimos satisfeitos. Se a
satisfação não aparece, aquele “desejo” não era vontade de comer. O que poderia
ser, então? Fome emocional?
A fome emocional é aquela sensação parecida com a da fome ou
da vontade de comer, mas que está relacionada com uma necessidade psicológica. Mas, por que confundimos essas sensações?
As nossas emoções produzem sensações corporais que podem ser muito parecidas com aquelas que
experimentamos no aparelho digestivo: quando sentimos raiva, nosso lado
instintivo tenciona as mandíbulas se preparando para morder. Quando estamos angustiados,
sentimos um nó na garganta. Quando ficamos ansiosos, precisamos nos movimentar.
Quando ficamos com medo, sentimos o estômago revirar.
Se não somos treinados
a identificar essas sensações corporais, acabamos confundindo todas elas
com a fome e buscamos a comida, ao invés de dar ao nosso corpo o que ele
realmente precisa. Esse comportamento acaba sendo reforçado porque comer libera,
parcialmente, a tensão que sentimos: ao mastigar um punhado de amendoins,
relaxamos o maxilar tenso de raiva. Ao engolir uma fatia de pizza, relaxamos
aquele nó na garganta, aquele “sapo entalado” da nossa angústia. Ao levantar do
sofá e ir até a cozinha diversas vezes, movimentamos o corpo ansioso. E assim,
criamos uma solução momentânea para
o desconforto relacionado àquelas emoções.
Além disso, a comida também pode se tornar o símbolo de uma
solução para algum conflito existencial. Como a psique fala através de metáforas, corremos o risco de
interpretar de maneira concreta uma necessidade que é emocional.
Se ficamos entediados e nossa vida está sem objetivos,
podemos confundir o vazio de sentido
com o vazio do estômago. Se estamos tristes, podemos buscar a alegria em um
chocolate, já que desde pequenos associamos doces a momentos festivos. Se nos
sentimos presos, sufocados, podemos quebrar a dieta como uma forma de nos
sentirmos livres. E por aí vai.
Fazendo isso, uma pessoa pode usar a comida na tentativa de se
sentir melhor em relação aos conflitos emocionais, mas como não atende a
necessidade real do organismo, a sensação de desconforto não vai embora. Sem
saber o que fazer, podemos seguir comendo o tempo todo sem entender por quê.
A saída está no autoconhecimento. Desenvolver consciência
corporal e autoconhecimento é muito importante para quem quer emagrecer. Só
assim a gente pode escutar o nosso corpo, entender o que ele está pedindo e dar
ao nosso organismo o que ele realmente precisa. Assim a gente fica satisfeito
de verdade.
Saiba mais:
29 de mar. de 2016
8 de mai. de 2014
Ansiedade e ganho de peso
A ansiedade é uma reação natural do nosso organismo diante de situações ameaçadoras. Ela é a responsável por preparar o nosso organismo para lutar ou fugir do perigo e por isso sentimos a respiração acelerada, ficamos mais atentos com pensamento rápido e uma vontade imensa de se mexer: estamos em estado de alerta máximo!
A ansiedade gera uma tensão que precisa ser aliviada, mas muitas vezes não podemos agir e toda essa tensão acumulada faz com que a gente se sinta muito mal. E é nesse momento que muita gente COME COMPULSIVAMENTE.
Comer é uma forma de lidar com a ansiedade pois ao comer podemos dar vazão àquela necessidade de ação. Às vezes, não podemos falar o que pensamos, não podemos brigar com alguém e nem mudar uma situação, mas podemos comer. E ao mastigar, engolir e fazer a digestão damos ao nosso corpo o movimento que ele estava precisando. Nesse momento, conseguimos também FUGIR das sensações ruins que estávamos sentindo.
Porém, como o conflito não deixou de existir, ao invés de melhorar acabamos AUMENTANDO a sensação de ansiedade. E se não conseguirmos lidar com isso, entraremos em um ciclo vicioso aonde a comida, que inicialmente era uma forma de nos acalmar, acaba virando o maior transtorno da nosso vida.
Uma boa experiência para esse momento é buscar quebrar o ciclo do impulso que vira ação sem a reflexão. Para isso, quando um desejo aparecer, se proponha a esperar antes de reagir. Deu vontade de comer? Espere 30 minutos e nesse tempo tente ficar com você mesmo, observando quais são as sensações do seu corpo, que sentimentos, pensamentos e lembranças aparecem. Não julgue, apenas esteja presente. Depois que esse tempo passar você decide se quer comer, mas daí vai comer com consciência, sabendo o que está fazendo, e não tomado por um impulso.
Por isso que a Psicologia busca estimular o contato consigo mesmo. Porque só assim descobrimos descobre quem somos, do que realmente precisamos e, o melhor de tudo, aprendemos a ficar com os nossos sentimentos. No momento em que aprendemos a ficar com as nossas sensações ao invés de fugir delas descobrimos que elas não são tão tenebrosas assim. Perdemos o medo e aproveitamos os sentimentos para que eles nos mostrem o caminho do que precisamos conhecer, aprender ou modificar.
Leia também: A DIETA QUE DA CERTO X A DIETA QUE DA ERRADO, DIETAS NÃO FUNCIONAM
8 de abr. de 2014
Comendo Escondido
Para quem não conhece, o programa se propõe a acompanhar pessoas que não conseguem entender porque estão acima do peso. Alguns participantes acreditam que comem bastante, mas não a quantidade que justificaria o grande aumento
de peso. Mas a maioria dos participantes é capaz de jurar "de pés juntos" que
pratica uma alimentação extremamente saudável.
Por 5 dias, a equipe do programa se propõe
a acompanhar os participantes, utilizando câmeras de vídeo instaladas em suas
casas e "detetives" que os acompanham durante a sua rotina do dia a
dia.
Resultado final: os participantes acabam
tendo que se dar conta de que comem muito, mas muito a mais do que imaginavam. Encontramos
diferenças gritantes de percepção como no caso de um dos participantes que
acreditava comer em torno de 2000 calorias por dia quando na verdade comia 5300. Ou mesmo da outra participante
que jurava não comer e nem gostar de doces e que foi flagrada devorando 5
barras de chocolates por dia.
Mas o que acontece com essas pessoas? São
mentirosos compulsivos?
Não.
A Psicologia demonstra que nossa
personalidade é muito maior do que aquilo que conhecemos a nosso respeito e que possuímos a capacidade de esconder de nós mesmos tudo aquilo que julgamos feio, errado e doloroso. E todos esses "defeitos" acabam na nossa Sombra.
E é aí onde mora o problema.
Se estamos inconscientes desses nossos lados, como vamos
transformá-los? Se eu acho que como corretamente e como pouco como é que vou
perder peso?
Impossível.
O primeiro passo para a transformação de qualquer comportamento é
a consciência de que ele existe. E nesse sentido esse programa acaba sendo
genial pois faz com que os participantes sejam obrigados a encarar a
realidade. E por mais doloroso que seja, é somente encarando a verdade que começamos
a nos libertar das nossas próprias armadilhas.
Leia também: Dia da Mentira, Mudar dói, Diario Alimentar
19 de fev. de 2014
Educando os filhos para o futuro
Um dos sentimentos mais marcantes que experimentamos quando nos tornamos pais é o da responsabilidade. Com o tempo nos damos conta do papel que temos no desenvolvimento dos nossos filhos e é natural que isso gere certa insegurança. Não há consenso sobre o que é melhor em termos de educação e o fato de existirem diversas teorias a respeito deixa essa insegurança ainda maior.
O que a Psicologia tem a dizer sobre educação?
A Psicologia tem como base a visão de que todo ser humano é único e que cada um será mais feliz se conseguir ser quem é, respeitando a sua essência.
A Psicologia Analítica acredita que todos nós somos dotados de diversos potenciais, sendo que uns são mais desenvolvidos do que outros. Podemos observar isso em crianças muito pequenas que já demonstram facilidade com algumas tarefas e dificuldades para outras. Por isso o desenvolvimento das crianças nunca é exatamente igual.
Para que o trabalho de desenvolvimento seja proveitoso é importante observamos quais são os potencias de cada um. Precisamos sempre comemorar aqueles que já estão assimilados e estimular aqueles que ainda precisam ser desenvolvidos.
Os aspectos emocionais precisam ser identificados da mesma forma que as habilidades motoras e intelectuais. Algumas crianças se mostram mais confortáveis em algumas situações e lidam melhor com determinados sentimentos. Podemos encontrar uma criança mais extrovertida que não demonstra dificuldade em enfrentar situações novas enquanto outra pode ficar extremamente insegura diante das novidades. E é por isso que cada criança precisará de um estimulo diferente. A primeira precisará aprender a avaliar melhor situações desconhecidas antes de se entregar a elas enquanto a segunda precisará desenvolver mais confiança para experimentar as novidades. E aí é que mora o perigo quando recorremos a alguns manuais de educação, principalmente aqueles livros cheio de regras que tratam as crianças como se elas fossem todas iguais e precisassem do mesmo tipo de estimulo.
Você pode ler num livro que criança precisa aprender a dormir sozinha, custe o que custar. Se o seu filho já desenvolveu a noção de que estar sozinho não é ficar abandonado e de que os adultos somem mas depois reaparecem, tudo bem. Você estará estimulando uma habilidade nova na sua personalidade. Mas e se o seu filho for uma criança que ainda não chegou nesse estágio e precisa de mais tempo na sua companhia antes de aprender a dormir sozinho no berço? Você vai impor uma experiência que ele ainda não pode suportar só porque alguém escreveu que precisa ser assim?
O que quero mostrar aqui é que NÃO EXISTE REGRA. Uma atitude que é boa para o desenvolvimento de uma criança pode ser péssima para o desenvolvimento de outra. E uma atitude que é boa para um determinado momento pode não ajudar na educação no momento seguinte. Cada estágio é único.
Os pais precisam desenvolver uma sensibilidade para enxergar os seus filhos individualmente, com suas necessidade específicas para aquele momento da vida. Precisam confiar na sua intuição, ter coragem para experimentar e também para voltar atrás. Nem sempre a gente acerta, o importante é ter humildade para aprender e reparar o erro com uma nova atitude. Será a própria criança quem irá nos guiar nesse processo.
Educar um filho para o futuro é prepará-lo para a vida, ajudando no DESENVOLVIMENTO DE TODOS OS SEUS POTENCIAIS.
11 de fev. de 2014
Dietas não funcionam
Ou melhor, funcionam por um tempo determinado.
Em todos esses anos que trabalho com obesidade atendi
centenas de pessoas com a mesma história. Emagreceram 10, 20, 30 kg durante a
vida, mas ganharam tudo de novo...e um pouco mais. O que nos leva a concluir que
o difícil não é perder peso mas sustentar uma mudança de vida a longo prazo.
Não é a toa que o mercado de dietas movimenta bilhões de dólares.
Infelizmente, as pessoas não percebem que acabam consumindo dietas da mesma
forma que consomem comida: compulsivamente.
Isso acontece por alguns motivos que a Psicologia pode
explicar:
1.
As dietas são sempre restritivas
Reduzem carboidratos, ou glúten, ou
lactose, ou gorduras etc. Mas quem tem problemas com a comida termina em um
episódio de compulsão alimentar toda vez que se coloca em restrição. Restrição
causa compulsão porque tendemos a compensar qualquer atitude radical e
unilateral que tomamos na vida. E daí o ciclo vicioso: restringimos – perdemos peso
– entramos em compulsão – ganhamos peso de novo.
2.
As dietas se vendem como uma solução milagrosa
Quando vivemos um conflito psicológico
temos a sensação de que somos impotentes diante daquilo que nos causa angústia
e assim acontece com quem come demais e se sente paralisado entre o desejo de
emagrecer e o impulso de comer. Quem vivencia esse conflito acaba fragilizado e
fica mais fácil de ser convencido que uma nova dieta pode ser a solução mágica
para os seus problemas. E a indústria se aproveita disso.
Mas a solução mágica não existe. Enquanto o
conflito não for resolvido não haverá mudança a longo prazo.
3.
Dietas não ensinam a lidar com as emoções
Quem come demais não faz isso porque tem
fome. Quem come além da conta está interpretando mal as sensações corporais ou
está buscando alívio para algum desconforto emocional. E enquanto não aprender a lidar com isso voltará a comer compulsivamente em algum momento da vida.
Algumas dietas funcionam temporariamente e acabam nos
ensinando algo sobre nutrição. Devemos aproveitar o que há de bom nelas mas continuar
a buscar uma mudança mais profunda e eficaz.
Só nos conhecendo melhor é que realmente conseguiremos nos transformar.
3 de dez. de 2013
"Vista quem você é" : a moda em parceria com o autoconhecimento!
Terminei hoje o seu livro...que delícia.
Que delícia acompanhar a sua jornada e constatar a linda
mulher que se tornou.
Como não lembrar de você, nos nossos 20 anos, me
arrumando para sair: o lenço vai aqui, o colar ali, o cinto acolá...enquanto eu,
pasma, tentava acompanhar a agilidade com que você fazia tamanha transformação.
E pensar que naquele tempo você cursava Engenharia! Já estava na cara que
aquela não era bem a sua praia, só faltava coragem para assumir uma profissão
que naquela época ainda era tão desconhecida.
Ter um senso estético apurado já fazia parte da sua
personalidade. São aqueles aspectos que podemos chamar de dom. Ser doce, amiga,
bem humorada e divertida também. E então, você
uniu tudo isso ao conhecimento sobre estilo e se transformou no que toda mulher
precisa:
a amiga honesta e carinhosa que é capaz de apontar o erro sem machucar, já que logo
de imediato apresenta soluções para o problema. Afinal, de que adianta apontar
o dedo só pra criar angústia, né?
Que delícia poder compartilhar e concordar com as suas
idéias.
Que delícia ver que um grupo
de mulheres ( “alô” Alê Sanchez) vêm se desenvolvendo para trazer ao nosso
coletivo uma nova visão do que é beleza, amor, empatia e felicidade.
Que delícia poder sentir mais colaboração do que
competição, mais construção do que destruição, mais feminino do que masculino.
Durante esse tempo que não nos falamos me tornei
psicóloga e comecei a trabalhar com mulheres de todos os tipos e em diferentes
fases da vida. Apesar de trabalhar também com Obesidade (Obesidade de verdade,
com tratamentos, cirurgias, remédios e etc) não foi com as mulheres obesas que
me surpreendi. Posso te contar que passei esses últimos 14 anos de formada
(nossa!) ouvindo sobre a insatisfação que TODAS as mulheres que cruzaram o meu
caminho têm consigo mesmas.
Que pena que hoje em dia essa insatisfação ainda é tão
confundida com a estética. Pena que é o nosso corpinho, coitadinho, que passa a
ser o culpado pelo buraco que está muito, muito mais embaixo.
Nós mulheres ainda temos dificuldade de compreender que a
imagem que vemos no espelho não é real, mas sim um reflexo do que sentimos por
nós mesmas. E perdemos muito tempo tentando consertar o que não se conserta
pois a angústia não vem da matéria, mas sim da alma.
Ainda não compreendemos que essa insatisfação é resultado
da dificuldade que temos de reconhecer e
atender as nossas necessidades mais profundas.
E é em cima dessa nossa angústia que muita gente ganha a
vida tentando vender a felicidade associada a imagem ideal. Quem não se dá
conta desse conflito entra na busca desenfreada por aquele corpo, cabelo, sapato,
bolsa, maquiagem, jóia, dermatologista, nutricionista, personal, suplemento,
academia (afe!) acreditando que através deles conseguirá atingir uma sensação
de paz consigo mesma. Que pena que boa parte de nós ainda está procurando esse
sentimento no lugar errado.
E não falo contra a beleza, a vaidade e o cuidado já que
quem desenvolve amor por si mesma se trata da melhor forma possível. Falo da angústia que criamos quando desejamos ser outra pessoa.
No fundo o que a gente quer é apenas se sentir bem dentro
da própria pele. Se sentir confortável com as nossas ações, com os nossos
pensamentos e com as nossas escolhas para poder sentir orgulho de quem somos.
E que delícia observar que uma parcela de nós mulheres
está batalhando para mostrar às outras que existe um outro caminho para ser
feliz e que esse caminho está na busca de quem se é e não de quem gostaríamos de
ser.
E quem diria que a moda pode ser parceira de todo esse
desenvolvimento.
A mesma moda que fere, que frustra e que detona a autoestima
também pode ser usada para fazer com que
a gente se sinta bem sendo quem a gente é.
E que bom que vocês puderam ensinar isso pra gente.
Existe coisa melhor pra uma psicóloga do que poder ler: VISTA QUEM VOCÊ É?
Que delícia!
Saudades,
Flá”
"Vista quem você é" - Cris Zanetti e Fê Rezende - Casa da Palavra
15 de dez. de 2009
Emoções e Obesidade
Quando nascemos uma das primeiras sensações de desconforto que
experimentamos é a fome, já que dentro do útero éramos alimentados
constantemente através do cordão umbilical e a sensação de fome não existia.
Quando o bebê é alimentado ele experimenta uma sensação de alívio
e conforto, não só porque sua fome está sendo saciada, mas porque a amamentação
também traz o calor do vínculo com a mãe.
Por isso, tendemos a associar desamparo, dor, solidão e tristeza com
a fome e bem estar, prazer, conforto e aconchego com a sensação de estômago
cheio. Essas experiências estão relacionadas na nossa memória desde muito cedo.
Discriminar as sensações emocionais das fisiológicas é
consequência de um aprendizado, são os adultos que vão ajudando a criança a
diferenciar o desconforto que está no corpo daquele que está na alma.
Normalmente é a mãe quem começa a traduzir para a criança os seus desconfortos,
transformando-os em palavras.
Quando não aprendemos a traduzir nossas emoções, podemos confundir
as sensações físicas com as emocionais e qualquer emoção pode ser interpretada
como fome.
A compulsão alimentar é um sinal de que estamos comendo no momento
errado, tentando lidar com algum desconforto que não vem do estômago. Acabamos
comendo demais porque comer desvia a nossa atenção de alguma sensação
desagradável. A comida traz um conforto momentâneo, mas como não resolve o
problema, precisamos de mais comida para nos distrair do desconforto original.
Portanto, aprender a discriminar sensações corporais das
emocionais é o primeiro passo no processo de emagrecimento.
Você já tentou dar nome para as suas sensações? Pare por alguns
momentos quando se sentir desconfortável e tente nomear o que sente. Esse é um
exercício simples que traz muitos resultados.
O comer demais permanece na nossa vida pois, nos traz
consequências positivas. A comida nos acalma pois contém em si componentes
químicos que aumentam a sensação de bem estar. Ficar de estômago cheio relaxa
já que o corpo precisa de muita energia para realizar a digestão. O prazer
proporcionado por alguns alimentos, principalmente aqueles que derretem na
boca, também nos ajudam a desfocar de sensações desagradáveis. Por isso,
o segundo passo do tratamento para emagrecer é aprender a lidar
com nossas sensações. Criar formas de nos confortar sem utilizar a comida é
fundamental. Se isso não acontece a restrição alimentar acaba sendo
insuportável.
Você já tentou suportar um desconforto? Da próxima vez que se
sentir desconfortável, nomeie essa sensação e pare para suportá-la. Tenha
coragem de se entregar ao sentimento. Deite na cama ou se recoste na cadeira e
apenas sinta o seu corpo: onde a sensação se localiza, como ela se movimenta,
com o que ela se parece, te lembra alguma situação? Através desse exercício
normalmente aprendemos que entrar em contato com ansiedade, frustração, raiva e
agitação não nos destrói, pelo contrário, nos torna mais resistentes.
O desenvolvimento psicológico é essencial
no tratamento da Obesidade. Só quando aprendemos a lidar com as nossas emoções
podemos deixar de usar a comida para suportar os nossos sentimentos.
Flávia Scavone
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